segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Giulio Cesare, o primeiro imperador romano


Imperador romano é a denominação que os historiadores usam para se referir aos governantes do Império Romano, fase da Roma Antiga sucessora da época conhecida como a República Romana.

O título de Imperador Romano não definia uma função precisa e legal, senão um jeito de sintetizar uma complicada reunião de cargos e poderes que foram acrescentados, subtraídos ou mudados no percurso dos séculos. Todos os títulos associados tradicionalmente ao imperador tinham a sua origem na época republicana.

O conceito de Imperador Romano depende em grande medida do ponto de vista dos historiadores, uma vez que para os mesmos romanos não havia a associação moderna do conceito monárquico com 'império' e 'imperador', mantendo o Império Romano as instituições políticas e as tradições da República Romana, incluindo o Senado e as assembléias.

Originariamente, o nome Imperador significava um general vitorioso que tivera sido aclamado pelas suas tropas e tendo, portanto, direito ao triunfo, concedido pelo Senado e pelo povo.

Depois de Augusto, o título foi incorporado como praenomen por todos os imperadores romanos. Ao título de Imperador seguia, geralmente, o número de vezes que o imperador tinha sido aclamado pessoalmente ou pelos seus generais.

Na discussão sobre quem foi o primeiro Imperador Romano deve ter-se em conta que no final do período republicano não existia um novo título que implicasse um poder individual semelhante ao de um monarca. Tomando como referência a tradução literal de Imperador para o português, Giulio Cesare teria sido Imperador, como muitos outros generais romanos antes que ele. Em lugar disso, e após o fim das guerras civis durante as que Giulio Cesare liderou os seus exércitos para conseguir o poder, tornou-se claro por um lado que não existia consenso sobre o retorno da monarquia, e por outro, que a presença a um tempo de tantos altos governantes com iguais poderes outorgados pelo Senado lutando entre eles devia chegar ao seu fim.

Com objeto de atingir essa monarquia não declarada, Giulio Cesare, e alguns anos mais tarde Octávio, de uma forma mais sutil e gradual, trabalharam para acumular os cargos e títulos de maior importância na República, fazendo que os poderes associados a ditos cargos fossem permanentes e evitando que ninguém com idênticas aspirações pudessem acumular ou conservar poderes por si mesmos.

Giulio Cesare percorreu uma parte considerável do caminho nesta direção, ostentando os cargos republicanos de cônsul (quatro vezes) e ditador (cinco vezes); conseguindo ser nomeado 'ditador vitalício' (dictator perpetuus) no 45 a.C. Também tinha sido Pontífice Máximo durante várias décadas, e preparado a sua futura deificação(iniciando o chamado Culto imperial).

Embora fosse o último ditador da República, Giulio Cesare faleceu muitos anos antes do colapso final das instituições tradicionais republicanas que abriram espaço ao sistema que os historiadores modernos chamaram Principado.

Na época do seu assassinato (44 a.C.) Giulio Cesare já era o homem mais poderoso de Roma, mas sem ser princeps, condição que os historiadores modernos consideram determinante para considerá-lo Imperador. Apesar disso, conseguiu algo que somente um monarca teria podido conseguir, se bem que isto somente se faria evidente muitas décadas depois da sua morte: tornara hereditários os seus grandes poderes republicanos, através do seu testamento, no qual adotava Octávio e designava-o como o seu único herdeiro político.

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